PENSAR NÃO É CRIME
- Geraldo Freire
- 24 de nov. de 2024
- 2 min de leitura
Atualizado: 22 de jan.
Após alguns meses de investigação, a polícia civil de Brasília invade uma casa e prende uma quadrilha composta por dez pessoas, oito homens e duas mulheres. Um era o chefe e patrocinador, dois eram planejadores, as duas mulheres eram colhedoras de informações externas e os outros cinco eram executores, ou seja, soldados.
A gangue vinha estudando todos os passos de uma certa família há meses. A família de uma senador da República. Eles pretendiam invadir sua casa e roubar todos os pertences de valor, informação segura que já haviam levantado, guardados num grande cofre, dentre os quais: muito dinheiro em moeda corrente, muitos dólares, euros, ouro e pedras preciosas. Além disso, almejavam matar toda a família, o pai, a mãe e suas duas filhas pequenas, do mesmo modo, todos os seguranças da propriedade, que não eram poucos. Em sua linguagem, deveriam “neutralizá-los”, às vezes falavam em “cancelar o CPF”, ou “passar o cerol” em todo mundo. A casa, situada em área nobre de Brasília, era avaliada em seis milhões, mas há quem diga que vale ao menos o triplo desse valor.
Depois que a quadrilha foi desarticulada, o senador foi às redes socias dizer que acreditava que aquele bando tinha sido patrocinado por políticos, em especial de um determinado partido. Porém ficou muito desapontado, pois no dia seguinte todo o grupo foi solto, caso bem fácil para seus advogados. Bastaram alegar, no habeas corpus, que eles "planejaram", mas "não executaram". Os juristas também declararam que nem se quer se deveria abrir inquérito contra seus clientes, afinal, pensar na morte de alguém não é crime. E concluíam a petição com a seguinte assertiva: “Afinal, vontade de matar alguém todo mundo alguma vez na vida já teve”.





Pensar não é crime. Na verdade. O pensamento, apesar de ser uma arma extremamente potente, é a principal ferramenta de trabalho do indivíduo. O pensamento pode dar vida ou matar. A questão aí não é o pensamento mas, a intenção. O que fazemos com a nossa capacidade de pensar?