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AS RAÍZES DO AUTORITARISMO

  • Foto do escritor: Geraldo Freire
    Geraldo Freire
  • 13 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Autora: Maria Inêz Barbosa (estudante de administração pelo IFRN, Campus Lajes)

Uma grande quantidade de pessoas pensa que o autoritarismo nasce de repente, como um vírus ou algo do tipo. Mas, verdadeiramente, começa a ser moldado bem antes disso, na infância, no convívio familiar e social da criança, no qual forma quem somos.

Um pensador alemão chamado Theodor Adorno, em sua clássica obra A Personalidade Autoritária (1950), afirmou que certos traços, como a obediência cega, o medo do diferente e a necessidade de controlar, nascem em ambientes onde a autoridade é mais temida do que respeitada. Quando a criança cresce com a noção de que mandar é sinônimo de ter importância ou valor, tende a reproduzir isso em seu dia a dia, como se fosse o único jeito de ver a vida, com base em suas experiências pessoais.

Segundo a pesquisa da psicóloga Diana Baumrind, a qual traz dados de que pais e mães autoritários, aqueles que impõem regras rígidas, sem diálogo ou explicações, criam filhos menos autônomos, inseguros e mais propensos a tentar dominar os outros quando tiverem chance. Um estudo publicado no Journal of Child Psychology and Psychiatry (2003) confirmou que crianças educadas sob uma disciplina severa tendem a ter mais problemas de conduta e empatia.

A família não é o único espaço de formação pessoal, a escola também possui um grande papel. Ambientes onde o diálogo é substituído pela imposição de regras, com hierarquia excessiva, reforçam a ideia de que “quem tem autoridade manda, e os outros obedecem”. Por outro lado, as escolas que valorizam a escuta, o pensamento crítico e o trabalho em grupo ajudam a desconstruir o autoritarismo, estimulando o raciocínio mútuo e o raciocínio ético.


Na adolescência, essas atitudes de hierarquias e pensamentos autoritários se intensificam ainda mais, pois é a fase da busca por identidade, de pertencer a um grupo, é o momento em que surgem figuras de liderança que influenciam fortemente o modo como o jovem pode ver o mundo. As pesquisas de Bob Altemeyer mostram que é nesse momento que certas crenças rígidas e o desejo por ordem absoluta podem se consolidar, principalmente se o adolescente não aprender a questionar e refletir o porquê das coisas.

Mas não é apenas no seio família ou educacional que o autoritarismo se desenvolve, em seu livro O Medo à Liberdade (1941) Erich Fromm expõe que o autoritarismo também nasce do medo: de decidir, de errar, de ser livre, e então os sujeitos buscam segurança em figuras aparentemente fortes, com o pensamento de que “alguém precisa mandar para tudo funcionar”. O problema é que, quando esse pensamento se espalha socialmente, abre portas para regimes autoritários e atitudes que sufocam a liberdade e o diálogo. Por isso, falar sobre a formação da personalidade autoritária importa tanto.

A boa notícia é que esse ciclo pode ser rompido. Experiências marcadas por afeto, escuta, empatia e liberdade responsável ajudam a desconstruir personalidades com tendências autoritárias e a formar pessoas mais seguras, que não precisam dominar para se sentirem fortes, muito menos obedecer cegamente para se sentirem aceitas. Enquanto o autoritarismo germina na obediência cega, a democracia brota no solo fértil da consciência e do diálogo.

 
 
 

1 comentário


filosoforn
14 de out. de 2025

O texto "As raízes do Autoritarismo" foi muito bem escrito. Parabenizo ao nobre professor pelo belo espaço de crítica e reflexões para lá de valorozas acerca da filosofia e da psicanálise e agora também, dos estudo sobre o autoritarismo. Para frente sempre Professor Geraldo. Abraço, fraterno.

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