CAPITALISMO: TODO AMEAÇADOR SEMPRE SE SENTE AMEAÇADO
- Geraldo Freire
- 2 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 13 de out. de 2025
Autora: Anna de Fátima Leite (estudante de administração pelo IFRN, Campus Lajes)
O comunismo, um movimento ao mesmo tempo político revolucionário e filosófico, surgiu a partir da ideia de que a sociedade deveria viver em harmonia, justiça e igualdade, e não com o propósito caricatural de “roubar nossas casas” e nossos bens em geral. Platão, segundo a obra A República, idealizou uma sociedade organizada de forma perfeita, na qual o objetivo principal seria evitar a corrupção, prevenir conflitos e preservar a justiça de forma ética e política. Para tais propósitos, exigia-se a abolição da propriedade privada e do vínculos familiares, preservados pelos guardiões, pois ele pensava que esses elementos poderiam gerar disputas e desvirtuamentos morais, como a ganância. Por isso, segundo o pensador grego, os bens e as relações familiares deveriam ser igualmente resguardados por aqueles. Tais características desse ideal platônico nos permitem afirmar, de forma aproximativa, que se tratava de uma forma de “comunismo”, ainda que extremamente utópico, logo um sonho inalcançável. De fato, nunca existiu uma república comunista, ou país, aos moldes da proposta de Platão. O mais próximo que chegamos dessa ideologia foi o socialismo proposto por Karl Marx, que, para muitos, seria uma etapa de transição até alcançarmos o comunismo propriamente dito.

O comunismo proposto por Marx surgiu a partir da crítica profunda ao liberalismo econômico moderno, o qual ele nomeou de “sistema capitalista”. Junto a Friedrich Engels, Marx deu origem ao célebre Manifesto Comunista, obra fundamentada sobre a percepção da exploração da classe trabalhadora, e que pode ser sintetizada pela sentença não literal: “Se a classe operária tudo produz, a ela tudo pertence” — a qual adotei como emblema pessoal. Diferente do suposto “comunismo platônico”, Marx propunha, ao fim do processo de conversão socialista, um comunismo sem Estado, sem classes sociais e com os meios de produção de posse coletiva. Enquanto o comunismo de Platão era uma filosofia idealista e ética, baseada nos ideais de “bondade, beleza e justiça”, o comunismo de Marx tinha como foco o fim da exploração e da desigualdade social, fundamentando-se em uma filosofia materialista e econômica.

Portanto, para o bem da justiça teórica, tentemos, nos afastar das ideias preconceituosas e pouco informadas sobre o comunismo, seja o de Platão, seja o de Marx. Definitivamente: “nós comunistas não comemos criancinhas”. Em nosso contexto político atual, me flagro assistindo a vídeos de defensores da anistia para criminosos, os quais não irei citar nomes, até porque são tão perceptíveis quanto à luz. Chego a rir do grau de ignorância, pois seus argumentos se resumem a dizer que Lula e o PT irão transformar o Brasil em um país comunista. Mas pergunto a você, caro leitor: após ler este texto, considerando os valores positivos do comunismo, ele é realmente uma ameaça? Se sim, para quem? Pois, na minha percepção, o vejo mais como uma esperança. Aqueles opositores costumam usar argumentos infundados ou fantasiosos, vão às ruas vociferar que vivem em uma ditadura e que estão sendo censurados, sempre com medo dos “devoradores de criancinhas”. Não comemos crianças, entretanto, a quem me pergunta, afirmo que sim. Quem sabe um dia um absurdo anule o outro.





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