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OU BOLSONARO OU INDEPENDÊNCIA

  • Foto do escritor: Geraldo Freire
    Geraldo Freire
  • 7 de set. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 9 de set. de 2021

Confesso que ultimamente tem me dado muita preguiça e má vontade em escrever ainda qualquer coisa sobre Bolsonaro, bolsominions e suas bolsonaríces. Primeiro porque eles já tomaram tempo da nossa existência muitíssimo além da sua real importância, e segundo porque nada os fará mudar, pois estamos lidando com tipos psicológicos específicos, incorrigíveis, incuráveis e incivilizáveis, sobre os quais descreverei mais abaixo. No entanto, tenho a consciência que não é para eles que escrevo, e sim para vocês, pessoas razoáveis e sensatas que gostam de refletir. É por vocês que ainda escrevo.


Confesso também que ando sentindo falta do tempo em que nos orgulhávamos da nossa falta de “patriotismo”, quando sabíamos, por intuição, que “patriotismo” no Brasil é coisa de gente mocó e ufanista. Ajudávamos mais ao país ficando em casa descansando ou indo à praia tomar uma cerveja e relaxar, ou quando hasteávamos a bandeira nacional em tempos de copa do mundo, porque sabemos que gente estúpida é assim mesmo, falou em “patriotismo”, ou “pátria”, eles associam automaticamente à bandeira, soldado, hino nacional e golpe militar, visão no mínimo estreita e de aspecto puramente imaginário e brutamente estereotipada. Aliás, cá entre nós, em pleno 2021 falar em "patriotismo" me soa deveras arcaico, antiquado e cafona, quando o mundo infimamente civilizado já evoluiu bastante em seus conceitos de nacionalidade e cidadania, porém os clows fantasiados de verde e amarelo desconsideram qualquer ideia ou ideal de justiça, igualde e real respeito às leis.

É historicamente típico do comportamento fascista usurpar os símbolos nacionais para si e inventar um conceito muito próprio de patriotismo, para depois sair apontando o dedo, quando não uma arma, na cara daqueles em que eles pressupõem não serem patriotas, que serão todos aqueles que não concordarem com suas insanidades. Os nazistas, só para citar um exemplo, começaram assim, falando da grande “mãe Germânia” (Die deutsche Mutter), e nos “povos germânicos”, que incluía muita gente, e terminaram por falar numa circunscrita “raça pura ariana”, que até hoje alguns juram que exista, mas que nem geneticamente nem antropologicamente se sustenta. Tudo isso são apenas evoluções daqueles velhos hábitos sociais que comumente ouvimos e lidamos, expressões como “homem de verdade”, “macho de verdade”, “mulher de verdade, “brasileiro de verdade”, “cristão de verdade”, patriota de verdade” etc. O termo “verdade” aí significa encaixar-se em uma concepção própria disso ou daquilo, afinal não encontramos um manual pronto e unânime de como ser homem, macho, mulher, brasileiro, cristão ou patriota, é tudo pasmaceira, e se encontrássemos, garanto que ninguém seguiria.

E não, não desgosto da bandeira nacional, e lembro a todos que ela já existia muito antes dos “patriotas” bolsonaristas acharem que são donos da mesma. Às vezes nos orgulhamos dela, as vezes desconfiamos dela, mas tudo isso faz parte da construção civilizatória de um povo, só não enxergo, e nunca enxerguei, a bandeira nacional de forma fetichizada e nem tenho um conceito próprio sobre ela. Aliás, este texto nem é sobre bandeira, mas sobre um momento que vai passar, e esses lunáticos voltarão às suas tocas, e os símbolos nacionais voltarão a ser do povo brasileiro e não de uma ralé sem futuro e historicamente insignificante. Sim, um dia o “dia da independência” significará o dia em que ficamos livres de toda essa cultura do atraso. A ignorância é gigante, esplêndida, mas não dura para sempre.



 
 
 

3 comentários


isafaustino009
07 de set. de 2021

"OU BOLSONARO OU INDEPENDÊNCIA" : Professor, que título, minha nossa, arrasou. (Desculpe o comentário vulgar, é que cada linha é demasiadamente bem construída (quero ser assim) e abarca não só palavras, mas, de fato, a nossa pobre e atual realidade). Parabéns, um ótimo texto, que reflete um trágico, e espero que, "passageiro momento".

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isafaustino009
07 de set. de 2021

"A ignorância é gigante, esplêndida", infelizmente. Suponho que existe uma ignorância aceitável, a que de fato, não sai da gente, está em nós, e acaba indo embora quando cedemos ou pelo momento que somos acometidos por algo que não sabíamos, e dessa forma, caminhamos para a compreensão sobre. Já em oposição, a ignorância que me passa intolerância é a mais perigosa de todas, é quando ela não somente tenta calar as outras ideias, é quando ameaça também, visando superioridade e morte ao pensamento e direitos de toda uma sociedade.

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isafaustino009
07 de set. de 2021

"É historicamente típico do comportamento fascista usurpar os símbolos nacionais para si e inventar um conceito muito próprio de patriotismo, para depois sair apontando o dedo, quando não uma arma": Exatamente, professor, e é tipicamente o que ocorre no BR

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