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O SEGREDO TE MATA

  • Foto do escritor: Geraldo Freire
    Geraldo Freire
  • 22 de fev. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 10 de abr. de 2020

Tudo começa em mística e termina em política.” (Charles Péguy)


Particularmente tenho sérios problemas com quase tudo que se propõe como secreto, misterioso, místico, oculto e dogmático. Simplesmente porque o meu primeiro impulso e desejo maior é justamente descobrir, revelar, denunciar, difundir e questionar. Sinto-me mais realizado em desmascarar: ideias, coisas e pessoas, e não, pelo contrário, enganá-las. Pode ser um “mal” de profissão? Pode sim, mas cada um não escolhe a sua profissão a toa. A Filosofia, antes de tudo, nasceu de um desejo, esse que compartilho, o de trazer à luz os segredos mais íntimos do cosmo, da natureza, do pensamento, do desejo e das relações entre as coisas. Filosofia que esconde ou encobre não é filosofia. Ciências místicas, ou ciências ocultas, simplesmente não existem, é uma contradição em termos. Não estou fazendo juízo valorativo das “ciências” que “pregam” e se sustentam do mistério, apenas digo que elas são outra coisa, não são ciências. Os “mistérios da natureza” não são propriamente mistérios, pelo contrário, a natureza está escancarada a nossa frente, a questão é aprender a interpretar a sua linguagem. Sei que existem níveis de compreensão da inteligência humana, e que nem todos conseguem alcançar certos níveis, mas isso não significa segredo, apenas interesse, oportunidade e dedicação para alcançá-los. O problema é quando ninguém consegue, simplesmente porque não faz sentido, não é cognoscível, é apenas engodo.

A minha cisma é tão grande que penso que tudo o que é secreto é no mínimo perigoso, e é secreto porque perigoso, em vários graus de perigo. As ordens secretas (religiosas ou políticas) são secretas porque ou são farsas, e não querem que os de fora descubram que são farsas; ou guardam coisas perigosas, as quais, no momento certo, podem ser usadas contra os “inimigos". E, para certas ordens secretas, todos aqueles que não fazem parte dela são inimigos em potencial. O “segredista” é sempre um mal intencionado, um charlatão.

Não confundamos, entretanto, os segredos de caráter social com os segredos de caráter pessoal, íntimo. O neurótico, estruturalmente, é aquele que vive de segredos, meramente porque sua vida é uma farsa, uma ficção, que ele inscreve para si mesmo. O segredo, para o neurótico, é tão importante quanto necessário. Não confundamos os segredos pessoais, motivados por uma moralidade própria, como a vergonha, com segredos de seitas ou segredos de Estado. Num aspecto psicológico mais profundo, poderia assentir que aquele que gosta de ter e guardar segredos geralmente gosta, ou precisa, de se sentir especial, acima dos outros. O teu segredo te valoriza, aumenta o seu valor frente aos outros. Mas, não me furto a afirmar, sempre desconfio do “segredista”, para mim é um ser potencialmente perigoso, mesmo que seja para si mesmo.

Não estou tratando também de “segredos” familiares ou acordos de empresas, tudo isso se refere ao modus operandi da vida privada moderna. A política, por outro lado, é vida pública, republicana, o que se pressupõe ações feitas às claras. A mistificação da política, por via da mistificação das massas, é a negação da polícia, a destruição dela. Pois o político místico pode usar, mais cedo ou mais tarde, qualquer coisa contra você, em especial seus “segredos”.

A mistificação da política é sempre sinônimo de poderes mal-intencionados. A dominação política tende a camuflar-se a partir de estratégias ocultas. Nazismo, fascismo, stalinismo, maoismo, são exemplos do que a mistificação da política pode levar. O autoritarismo só governa em segredo e a partir dele. E se você defende que aqueles movimentos foram bons para a humanidade, só me resta discordar de você, mas discordo publicamente, expondo meus pontos de vista, e não mantendo-os em segredo.

 
 
 

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