O ABORTO É UMA ARAPUCA MORAL
- Geraldo Freire
- 24 de jun. de 2022
- 2 min de leitura
Atualizado: 12 de jun. de 2024
Você conhece alguém aqui no Brasil que foi presa por que praticou aborto? Nem você nem ninguém conhece.
O tema do aborto nos EUA e no Brasil é uma armadilha moral, nada mais. Lá existe um histórico que vem de grupos religiosos fanáticos, de matriz cristã, supremacistas brancos, neonazistas e antissemitas, como o Ku Klux Klan, o John Birch Society e o Posse Comitatus, dentre muitos outros. Aliás, a cultura debiloide do "pró" e do "anti" é bem norte-americana. Os EUA é o país das milícias armadas legais e muitos querem que esse modelo se instale por aqui. Todos aqueles defendem supostamente valores da família cristã e ao mesmo tempo todos eles defendem o racismo, o direito ao uso indiscriminado de armas de fogo, a proibição do aborto, a homofobia, a misoginia etc., é um combo do capeta. Mas no Brasil essa discussão existe por imitação. Aqui esse tema ficava calado por três anos e retornava em época de campanha eleitoral, passada a campanha tudo permanecia o que sempre foi: quem tem dinheiro pratica o aborto com segurança, quem não tem morre de hemorragia interna ou fica estéril, e nada nunca foi alterado em lei alguma, e se depender dos deputados nunca será.

A era Bolsonaro deixou esse tema vivo por mais tempo porque depende muito dele, mais uma vez, como uma arapuca moral. Tenta-se convencer o público desavisado que o aborto é um condão divisor entre o bem e o mal, se você é a favor está automaticamente encaixado no mal. Mas nem mesmo seu governo conseguiu emplacar lei alguma sobre este assunto, não obstante minou o sistema de saúde nacional com portarias e recomendações antiaborto. Na maioria do mundo civilizado isso é uma pauta de conservadores, no Brasil os "liberais" são a favor da liberdade irrestrita, exceto àquela que diz respeito ao próprio corpo. O princípio de qualquer tirania é o controle sobre corpo do outro.

Claro que o tema do aborto está ligado aos suspiros do patriarcalismo, e acreditem, não são seus últimos. A escolha é sempre do sujeito, porque a sua motivação em praticar o aborto ou será emocional ou moral, muitas vezes de origem religiosa, ou será racional. Ao Estado só cabe cuidar da saúde dos cidadãos, não deve decidir por você. Para esses malucos o Estado não deve colocar a mão em suas armas, mas deve impor uma lei sobre a barriga alheia. Quando se cogita discutir o controle de armas nos EUA, eles apelam para a Constituição, mas quando se toca no direito, também constitucional, ao aborto, eles apelam para qualquer coisa fora dela, afinal, se as pessoas não nascerem, quem eles matarão com seus fuzis?
Discutir aborto aqui no Brasil é um golpe, que ajuda o lado errado da política a arrebanhar votos. Cai quem quer. Você corre o risco ou de perder o seu tempo ou de perder a sua reputação na sua comunidade, pois o precário nível educacional médio nunca permite que se ultrapasse os “argumentos” sentimentais ou religiosos, e ao final a situação continuará a mesma: os ricos abortam calados quando querem, a classe média finge que é contra para aparecer bem na foto cristã, e os mais pobres morrem por não terem acesso seguro aos hospitais. A política apenas tira proveito disso tudo.





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