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CRISES NOSSAS DE CADA DIA NOS DAI HOJE

  • Foto do escritor: Geraldo Freire
    Geraldo Freire
  • 15 de jan. de 2021
  • 3 min de leitura

*Este texto foi publicado pela primeira vez no jornal "O Sergipano", em sua 4º Edição, Ano 1, de 09 julho de 2012. Aqui encontra-se uma versão atualizada e com poucos acréscimos.


É muito comum, por parte das mídias, explorarem certos assuntos, muitas vezes até retirados de contextos científicos, e “discuti-los” extenuantemente até torná-los banais e descartáveis. Por meio dessa prática, a síndrome do pânico, por exemplo, transforma-se na moda do último verão, o transtorno bipolar uma identidade, e a depressão e o estresse uma necessidade que soa doce, suave e divertida pela boca de quem fala.

Programas de TV, jornais, revistas, blogs e youtubers adoram abusar, por exemplo, de assuntos referentes a crises pessoais, transformando-as em palavras de ordem e em verdadeiras epidemias mundiais. Crise de 5 anos de casamento. Crise dos 15 anos de idade. Crise dos 30, dos 40, de meia idade. Crise da separação... Estresse pós isso e pós aquilo... E muitas pessoas acabam repetindo-as como se fossem verdades comprovadas em laboratório.

Todo casamento tem problemas, mas não porque são problemas inerentes à instituição casamento, muito menos porque completou cinco anos, e sim porque a convivência humana, em si, independentemente de estarmos casados ou não, é essencialmente complexa. Afinal, o ser humano, apesar de social, não é dos seres mais sociáveis. Nem todo problema, numa relação, é necessariamente uma crise. E mesmo uma crise de verdade não poderia aparecer aos 3 anos, 7 meses e 2 dias de casados? Ou com 1 ano e 9 meses depois de terem jurado amor eterno no altar (ou no cartório)? Não poderia aparecer já na lua de mel, ou mesmo antes dela?!

Quanto às crises de idades, não vejo absurdo maior. Crianças possuem angústias de crianças, e as vezes justamente por serem crianças. Adolescentes por serem adolescentes, adultos por serem adultos, e maduros e idosos também por serem o que são. Crise de meia idade? O que é uma meia idade se não sabemos quando vamos morrer? As dúvidas, as inseguranças e as angústias fazem parte desse devir existencial que é nascer, crescer e morrer. Ou será que é necessário chegar-se aos 50 para só então perceber que o tempo não para? Não podemos ter crises aos 19? Aos 23, aos 37, aos 45? Ou mesmo aos 92 anos?

A vida e o mundo nos impõem, a cada instante, um mistério, uma descoberta, uma novidade, uma nova sabedoria, basta estar vivo para saber disso. Em casa, nos espaços sociais, ou até fechado em si mesmo, o inesperado e o estranho nos surpreendem a cada momento. As vezes reagimos bem, as vezes não tão bem. As vezes deprimimos, e as vezes, após um longo e doloroso processo, incorporamos as crises como verdadeiros ensinamentos para nós mesmos. Mas ensinamentos estes que só fazem sentido à nossa existência particular. A crise do outro, por mais que nos sensibilize como ser humano, é a crise do outro. A crise do mundo nem sempre é a minha, e vise versa.

Assim, não assimilem como verdadeiro tudo o que se passa na TV, na internet, ou coisa do tipo. Lembrem-se que uma marca da indústria farmacêutica pode muito bem patrocinar esses programas que exploram doenças e outras mazelas humanas. Os produtos tecnológicos são feitos também para nos sentirmos defasados e desatualizados do mundo o tempo inteiro, e nos angustiamos com isso. A ostentação alheia, nas redes sociais, reais ou inventadas, serve também para acharmos que perdemos tempo na vida estudando, trabalhando e sendo honestos. Nas mídias nada é por acaso. Sua crise é sua, e ela pode vir a qualquer momento, e em qualquer circunstância. A boa notícia é que: sua felicidade também é sua.


 
 
 

6 comentários


Geraldo Freire
Geraldo Freire
21 de jan. de 2021

Valeu, meu amigo.

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gleifersonviana
21 de jan. de 2021

Que texto massa! Parabéns, Freire! Só verdades nesse texto. Muito legal a reflexão que nos causa ao ler!

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Geraldo Freire
Geraldo Freire
21 de jan. de 2021

Obrigado.

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filosoforn
21 de jan. de 2021

Realmente, somos um pacote de crises ambulantes. Que texto super bem explicativo e reflexivo. Parabéns ao amigo Geraldo que nos proporciona momentos de autorreflexão como este.

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Geraldo Freire
Geraldo Freire
16 de jan. de 2021

Fico muito contente saber. Obrigado. 🥰

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