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ARMAS, MACONHA E CICLOVIA

  • Foto do escritor: Geraldo Freire
    Geraldo Freire
  • 19 de ago. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 22 de set. de 2021

Certa feita eu estava assistindo a um vídeo sobre a tal “Boris Bike”, que nada mais é que um sistema de aluguel de bicicletas na cidade inglesa de Londres, elaborado, em 2010, pelo então deputado Boris Johnson, hoje primeiro ministro, e que deu muito certo por lá. Você pega uma bike em um canto da cidade, paga, e devolve-a em outro canto da cidade onde haja um ponto coletor. Muitos de nós já vimos isso aqui no Brasil também, em várias cidades grandes ou de médio porte, a pergunta é: funcionou? Na maioria das cidades não! E por que, o que aconteceu? As causas vão de desinteresse da população, falta de manutenção das bicicletas, mau uso, e, claro, um dos esportes nacionais: o furto, tanto das bicicletas inteiras quanto de peças. Londres é uma das maiores cidades do mundo, em tamanho e em população, e possui um problema sério de mobilidade pública. Como eles resolveram isso? Tornando o fluxo de transportes privados, como automóveis e motocicletas, extremamente caro e desinteressante (impostos, pedágios e estacionamentos) e barateando ao extremo os transportes públicos como trens, ônibus e metrô. A “Boris Bike” é uma iniciativa ainda mais barata que o metrô, e por isso deu certo? Sim, também. Além do preço, do estímulo à atividade física e do investimento público no setor, existe outro quesito prévio de máxima importância para o projeto dar certo: a educação das pessoas. Mudando de assunto, e se no Brasil – e digo isso com bastante pesar – não temos uma educação da maioria para alugar uma bicicleta, imagina para possuir uma arma de fogo e usar maconha com responsabilidade.

É interessante como certas discussões se arrastam no Brasil de forma indefinida, simplesmente porque tudo engasga na esfera do “a favor” ou “contra”, nunca passa disso. Afirmo, mais uma vez com bastante desalento, que o povo em geral no Brasil não possui educação e discernimento suficiente para ser a favor ou contra da maioria das questões de interesse público que são pleiteadas ou polemizadas. E como a educação aqui, há décadas, nunca melhorou substancialmente, tais discussões também se arrastam interminavelmente, caindo sempre no fosso do mero discurso vazio ou da equiparação de temas de naturezas extremamente diferentes, como, por exemplo, uma arma e um baseado. Discutir a gente discute, mas nunca aprendemos e avançamos nos nossos problemas.

Foi necessário a chegada de um presidente imponderado, para dizer o mínimo, para pôr fim a, ao menos, uma dessas controvérsias nacionais: a liberação de armas de fogo. É mais que notório que, além de necessidade não possuímos educação, de forma geral, para portarmos armas de fogo, mas ele não quis saber, com algumas poucas canetadas atropelou o “debate público” e o congresso nacional e liberou a aquisição pessoal de armas a deixar o Rambo com inveja do brasileiro, até fuzil foi liberado para uso pessoal. Resultado disso: ainda não temos, declaradamente, um Talibã no poder, mas do jeito que o Brasil se arma na surdina, ou não tão na surdina assim, é só questão de tempo, aguardem.

Com ou sem educação para tal, no Brasil, hoje, é mais fácil você ir preso por portar maconha do que por portar uma “AK-47”. Foi esse o irônico resultado por equipararem, no nível do “a favor” ou “contra”, uma arma e um baseado, afinal, a nossa hipocrisia nacional sabe muito bem que, no fundo no fundo, sempre se pôde possuir armas tanto quanto sempre se pôde adquirir maconha no Brasil. O próprio presidente já declarou, repetidas vezes: “se você não é a favor de armas, basta você não comprar”. Ora, Sr. presidente, seguindo o seu “raciocínio”, se você é contra a maconha basta não comprar também. Que tal igualmente liberar a maconha numa canetada? Do mesmo jeito que eu não quero que os outros possuam armas, você quer que ninguém adquira maconha, mas, pensemos juntos: quais os riscos de uma arma na mão de qualquer pessoa e quais os riscos de um baseado na mão de qualquer pessoa? Imaginem se, em outros tempos, um presidente, por decreto, liberasse o uso da maconha. Tal presidente já teria caído, por pressões de várias direções, principalmente de grupos religiosos, que, em sua maioria, não entendem nem de religião, quanto mais de maconha, vício e saúde pública.

Assim, no país em que não se investe de fato em educação, locomoção pública e segurança, uma passagem de ônibus ou metrô é tão cara quanto um baseado, e você pode morrer tanto de ciclovia quanto de bala perdida, como no Rio de Janeiro. Nos eduquemos, meu povo, quem sabe um dia não precisemos mais de armas, nem de presidentes malucos e bizarros, e, quem sabe, no apogeu de uma tranquilidade e felicidade espontâneas, nem de maconha.


 
 
 

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